Afonso X


O que foi passar a serra
e nom quis servir a terra,
é ora, entrant'a guerra,
       que faroneja?
 5Pois el agora tam muito erra,
       maldito seja!
  
O que levou os dinheiros
e nom troux'os cavaleiros,
é por nom ir nos primeiros
10       que faroneja?
 Pois que vem cõn'os prostumeiros,
       maldito seja!
  
 O que filhou gram soldada
e nunca fez cavalgada,
15é por nom ir a Graada
       que faroneja?
 Se é ric'homem ou há mesnada,
       maldito seja!
  
O que meteu na taleiga
 20pouc'haver e muita meiga,
é por nom entrar na Veiga
       que faroneja?
Pois chus mol é [el] que manteiga,
       maldito seja!



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Nota geral:

Novo ataque ao comportamento, considerado infame, de uma parte da nobreza nas campanhas da Andaluzia. Aqui o que se critica é, especificamente, a atitude dos que, não tendo combatido, viriam, com a vitória próxima, "farejar" as riquezas que outros tinham conquistado. Toda a cantiga gira em volta da repetição do sugestivo verbo faronejar, farejar, e da maldição final do refrão. É possível que cada estrofe aludisse a um rico-homem diferente (que os contemporâneos saberiam certamente identificar).
Como outras cantigas de Afonso X, é provável que esta composição se insira no contexto de um dos conflitos políticos mais marcantes do seu reinado, a rebelião dos seus principais ricos-homens, ocorrida entre os anos 1272 e 1274, da qual resultou a sua recusa em integrarem, com os seus homens, a hoste real, que se preparava para defender a fronteira da Andaluzia face a um novo ataque das tropas muçulmanas vindas de Marrocos.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 494, V 77

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 494

Cancioneiro da Vaticana - V 77


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Serventês      versão audio disponível

Versão de Luís Cília