Afonso X


Ansur Moniz, muit'houve gram pesar
quando vos vi deitar, aos porteiros,
vilanamente d'antr'os escudeiros;
e dixe-lhis logo, se Deus m'ampar:
5- Per boa fé, fazêde-lo mui mal,
 ca Dom Ansur, u me el meos val,
vem dos de Vilan'Ansur de Ferreiros!
  
 E da outra parte vem dos d'Escobar
 e de Campos, mais nom dos de Cizneiros,
10mais de Lavradores e de Carvoeiros;
  e doutra veo: foi dos d'Estepar;
 e d'Azeved'ar é mui natural,
 u jaz seu padr'e sa madr'outro tal,
e jará el e todos seus herdeiros.
  
 15E sem esto, er foi el gaanhar
mais ca os seus avoos primeiros;
 e comprou fouces, terra e [o]breiros,
e Vilar de Paos ar foi comprar
pera seu corp', e diz ca nom lh'en cal
20de viver pobre, ca quem x'a si fal,
falecer-lh'-a todos seus companheiros.



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Nota geral:

Sátira a um fidalgo rural com pretensões a grande senhor. Toda a acerada ironia da cantiga repousa na utilização de nomes comuns e socialmente marcados na enumeração da sua linhagem e propriedades.
O trovador Vasco Peres Pardal dirige duas cantigas de escárnio contra um D. Ansur que poderá eventualmente ser este mesmo Ansur Moniz .



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
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Fontes manuscritas

B 482, V 65

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 482

Cancioneiro da Vaticana - V 65


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas