Afonso X


Nom quer'eu donzela fea
que ant'a mia porta pea.
  
Nom quer'eu donzela fea
e negra come carvom
5       que ant'a mia porta pea
nem faça come sisom.
       Nom quer'eu donzela fea
       que ant'a mia porta pea.
  
Nom quer'eu donzela fea
10e velosa come cam
       que ant'a mia porta pea
nem faça come alermã.
       Nom quer'eu donzela fea
       que ant'a mia porta pea.
  
15Nom quer'eu donzela fea
que há brancos os cabelos
       que ant'a mia porta pea
nem faça come camelos.
       Nom quer'eu donzela fea
20       que ant'a mia porta pea.
  
Nom quer'eu donzela fea,
veelha de má[a] coor
       que ant'a mia porta pea
nem [me] faça i peior.
25       Nom quer'eu donzela fea
       que ant'a mia porta pea.



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Nota geral:

Perfeito contratexto de uma cantiga de amor, eis o retrato de uma donzela em apuros digestivos. Se as referências escatológicas - nomeadamente o verbo peer (peidar) - surgem diversas vezes no cancioneiro satírico, devem notar-se as curiosas comparações botânicas e animalescas que Afonso X aqui propõe.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão, refrão inicial
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 476

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 476


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Non quer’eu donzela fea       versão audio disponível

Versão de Manuel Pedro Ferreira, Paul Hillier

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas