Anónimo 4


 [Nostro Senhor] me guisou de viver
 na mui gram coita, mentr'eu vivo for,
quando [me fez] querer bem tal senhor
que me nom quer sol dos olhos catar!
5Quando a vejo, nom lh'ouso dizer
       que lhe fiz, ou por que me quer matar.
  
E nom me poss'eu queixar com razom
d'Amor, nem d'outre, se me venha bem!,
 senom de Deus que me tolhe o sem
10em me fazer tal senhor muit'amar,
que me nom diz, em algũa sazom,
       que lhe fiz, ou por que me quer matar.
  
E por aquesto nunca perderei
já mui gram coita, pois assi Deus quer
15que eu queira mui gram bem tal molher
......................................[ar]
e me dizer, já que me morrerei,
       que lhe fiz, ou por que me quer matar.



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Nota geral:

O culpado pelas mágoas que sente o trovador é Deus, que o fez amar uma senhora que nem mesmo quer olhar para ele e a quem não ousa perguntar os motivos de tal rigor. Por isso, o trovador não se pode queixar de mais ninguém, senão, exatamente, de Deus.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

A 267

Cancioneiro da Ajuda - A 267


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas