Fernão Velho


Quant'eu de vós, mia senhor, receei
a ve[e]r, dê'lo dia em que vos vi,
dizem-mi ora que mi o aguis'assi
Nostro Senhor, como m'eu receei:
5       de vos casarem; mais sei ũa rem,
       se assi for: que morrerei por en!
  
E sempr'eu, mia senhor, esto temi,
que mi ora dizem, de vós a veer,
des que vos soubi mui gram bem querer;
10per bõa fé, sempr'eu esto temi:
       de vos casarem; mais sei ũa rem,
       se assi for: que morrerei por en!
  
E sempr'end'eu, senhor, houvi pavor
des que vos vi e convosco falei
15e vos dix'o mui grand'amor que hei;
e, mia senhor, daquest'hei eu pavor:
       de vos casarem; mais sei ũa rem,
       se assi for: que morrerei por en!



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Nota geral:

Numa cantiga de amor que, de forma pouco habitual, alude a situações concretas, o trovador exprime o seu desgosto por ter ouvido a notícia que mais receava: que a sua senhora vai casar (ou antes, que "vão casá-la", o que indicia o tradicional arranjo entre famílias). Se a notícia se confirmar, só lhe resta morrer.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Dobre: receei, esto temi, pavor (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 258, B 435, V 47

Cancioneiro da Ajuda - A 258

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 435

Cancioneiro da Vaticana - V 47


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas