João Vasques de Talaveira


Meus amigos, muit'estava eu bem
quand'a mia senhor podia falar
 na mui gram coita que me fez levar
Nostro Senhor, que mi a mostrou; por en
5       me faz a mim sem meu grado viver
       longe dela e sem seu bem-fazer.
  
Deus, que lhe mui bom parecer foi dar,
por mal de mim e destes olhos meus,
me guisou ora que nom viss'os seus.
10Por mi a fazer sempre mais desejar
       me faz a mim sem meu grado viver
       longe dela, e sem seu bem-fazer.
  
Nostro Senhor, que lhe deu mui bom prez,
melhor de quantas outras donas vi
15viver no mund'; e, de pram, est assi:
porque a ela tod'este bem fez,
       me faz a mim sem meu grado viver
       longe dela e sem seu bem-fazer!
  
E faz-mi, à força de mim, bem querer
20dona a que nom ouso rem dizer.



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Dirigindo-se aos seus amigos, o trovador recorda os bons tempos em que podia falar com a sua senhora e confessar-lhe as suas mágoas - esses tempos passaram, pois Deus tudo isso lhe tirou, fazendo-o viver longe dela e do seu favor. Procedendo ao seu (tradicional) elogio na 2ª e na 3ª estrofes, conclui revelando que não ousa com ela falar (o que não deixa de ser um pouco contraditório com o início da cantiga, diga-se).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 244, B 432, V 44

Cancioneiro da Ajuda - A 244

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 432

Cancioneiro da Vaticana - V 44


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas