João Garcia de Guilhade


Se m'ora Deus gram bem fazer quisesse,
nom m'havia mais de tant'a fazer:
leixar-m'aqui, u m'ora 'stou, viver;
e do seu bem nunca m'El outro desse!
5Ca já sempr'eu veeria daqui
aquelas casas u mia senhor vi,
e catá-la[s], bem quanto m'eu quisesse.
  
  Daqui vej'eu Barcelos e Faria,
e vej'as casas u já vi alguém,
10per bõa fé, que me nunca fez bem,
vedes por quê: porque xe nom queria.
E pero sei que me matará Amor,
enquant'eu fosse daqui morador,
nunca eu já del morte temeria.
  
15Par Deus Senhor, viçoso viveria
e em gram bem e em mui gram sabor!
Veê'las casas u vi mia senhor,
 e catar alá... quant'eu cataria!
 Mentr'eu daquesto houvess'o poder,
20daquelas casas que vejo veer,
nunca en já os olhos partiria!
  
E esso pouco que hei de viver,
vivê-lo-ia a mui gram prazer,
ca mia senhor nunca mi o saberia.



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Nota geral:

Tudo que que o trovador pede a Deus é que o deixe permanecer onde está: num lugar de onde pode avistar a casa onde mora a sua senhora. A originalidade desta cantiga de amor reside, em grande parte, no facto, raro neste género de composições, de o trovador nos indicar exatamente onde está: entre Barcelos e Faria (localidades que vê à distância). Uma zona que corresponde, de resto, à sua terra de origem (Guilhade é um lugar da freguesia de Milhazes, a meio caminho entre Barcelos e Faria) e onde a sua presença está por várias vezes documentada (como explicamos melhor na sua nota biográfica).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 236

Cancioneiro da Ajuda - A 236


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas