João Garcia de Guilhade


Que muitos me preguntarám,
quando m'ora virem morrer,
por que moir', e quer'eu dizer
quanto x'ende pois saberám:
5       moir'eu, porque nom vej'aqui
       a dona que nom vej'aqui.
  
E preguntar-m'-am, eu o sei,
da dona que diga qual é,
e juro-vos, per bõa fé,
10que nunca lhis eu mais direi:
       moir'eu, porque nom vej'aqui
       a dona que nom vej'aqui.
  
E dirám-mi que parecer
virom aqui donas mui bem,
 15e direi-vo-lhis eu por en
quanto m'ora oístes dizer:
       moir'eu, porque nom vej'aqui
       a dona que nom vej'aqui.
  
E nom dig'eu das outras mal
 20nem bem, nem sol nom falo i;
mais, pois vejo que moir'assi,
 dig'est', e nunca direi al:
       moir'eu, porque nom vej'aqui
       a dona que nom vej'aqui.



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Nota geral:

Jogando com a questão do segredo sobre a identidade da amada, o trovador resiste aos que tentam saber quem ela é, dizendo apenas que morre por alguém que não vê entre as senhoras presentes. E quando lhe dizem que, entre elas, há algumas muito bonitas, ele limita-se a responder que delas não dirá nem mal nem bem, ou seja, nada lhe interessam.
A cantiga vem transcrita duas vezes nos apógrafos italianos, talvez porque na primeira ocorrência (B 418, V 29) falta o primeiro verso, assumindo o 2ª a função de incipit (incluindo a maiúscula inicial).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 228, B 418=426, V 29=38

Cancioneiro da Ajuda - A 228

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 418=426

Cancioneiro da Vaticana - V 29=38


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas