Fernão Gonçalves de Seabra


Por nom saberem qual bem desejei
e desejo eno meu coraçom,
nen'o meu mal, assi Deus me perdom,
dig'eu aquest'e aquesto direi:
 5       que desej'o bem por que nom dou rem,
       e que me vem o mal que me nom vem!
  
Por nunca já rem saberem per mi
os que me vêm por en preguntar
de que me veem em gram coit'andar,
10juro-lhes eu e digo-lhes assi:
       que desej'o bem por que nom dou rem,
       e que me vem o mal que me nom vem!
  
E por esto nom poderám saber
nunca meu mal per mim, mentr'eu poder
15– e poderei sempre, se Deus quiser,
mentr'eu fezer as gentes entender
       que desej'o bem por que nom dou rem,
       e que me vem o mal que me nom vem!
  
E sabe Deus que muito mal me vem,
20mais nom dali donde se cuid'alguém.



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Nota geral:

Para esconder a identidade da senhora que está na origem do seu sofrimento, o trovador diz a todos que ama e deseja uma outra, que lhe é totalmente indiferente.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 212

Cancioneiro da Ajuda - A 212


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas