João Lopes de Ulhoa


Juro-vos eu, fremosa mia senhor,
(se Deus me leixe de vós bem haver
e se nom, leixe-me por vós morrer!)
se, pois fui nado, nunca dona vi
5tam fremosa come vós, nem de mi
tam amada com'eu vos sei amar.
  
E pois vos amo tanto, mia senhor,
se vós quiserdes, quero-vos dizer
qual coita me vós fazedes sofrer!
10E nom queredes que vos eu fal'i!
E nom poss'eu muito viver assi
que nom moira mui cedo com pesar
  
que hei mui grande desto, mia senhor:
de que me nom queredes gradecer
15de vos servir, nem de vos bem querer.
E dizedes, de quanto vos servi,
que fiz mal-sem, que atant'i perdi;
e empero nom me poss'en quitar,
  
nem quitarei, enquant'eu vivo for,
20de vos servir, senhor, e vos amar.



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Nota geral:

Jurando à sua senhora que nunca viu nenhuma outra tão formosa como ela, nem tão amada por ele como ela é, o trovador desespera por ela não o querer ouvir, nem lhe agradecer o longo serviço que lhe tem prestado (dizendo-lhe, pelo contrário, que é uma insensatez). Apesar de tudo, ele jura que nunca desistirá desse amor.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra perduda: vv. 1 e 6 de cada estrofe
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 204, B 355

Cancioneiro da Ajuda - A 204

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 355


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas