Rui Pais de Ribela


Os que mui gram pesar virom, assi
com'eu vejo da que quero gram bem,
 porque sei eu ca morrerom por en,
maravilhado me faço per mi:
5       pois todo vejo quanto receei,
       como nom moiro, se de morrer hei?
  
Da mia senhor e do meu coraçom
(porque me Deus já todo faz veer
per quant'eu logo devera morrer),
10meravilho-me e faço gram razom:
       pois todo vejo quanto receei,
       como nom moiro, pois a morrer hei?
  
Porque cuidava, se visse um pesar
de quantos vej'ora de mia senhor,
 15que morreria en polo mẽor,
dereito faç'em me maravilhar:
       pois todo vejo quanto receei,
       como nom moiro, pois a morrer hei?
  
E pois me nom pod'a coita que hei
20nem Deus matar, jamais nom morrerei.



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Nota geral:

Embora o trovador conheça quem tenha morrido com mágoas de amor, e a sua situação seja exatamente tão má quanto receou, espanta-se por não ter ainda morrido. Na finda conclui então que, se de facto ainda não morreu, decerto não morrerá nunca.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 196, B 347

Cancioneiro da Ajuda - A 196

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 347


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas