Anónimo 2 ou João Peres de Aboim


Per mi sei eu o poder que Amor
há sobr'aqueles que tem em poder,
ca me faz el tam coitado viver
que muit há i que houvera sabor
5       que me matasse; mais por me leixar
       viver em coita, nom me quer matar.
  
Porque sei eu que faz el outrossi
aos outros, que em seu poder tem,
com'a mi faz, por en me fôra bem,
10per bõa fé, des que o entendi,
       que me matasse; mais por me leixar
       viver em coita, nom me quer matar.
  
Porque sei bem que nunca prenderei
dela prazer per el nulha sazom,
 15por en querria, si Deus me perdom!,
o que vos digo, por esto que sei,
       que me matasse; mais por me leixar
       viver em coita, nom me quer matar.



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Nota geral:

Partindo da personificação do Amor, e consciente do seu poder, o trovador afirma que preferia que ele o matasse a viver como vive, sem o favor da sua senhora. Mas o Amor quer vê-lo sofrer, e por isso não o mata.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

A 182

Cancioneiro da Ajuda - A 182


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas