Rui Queimado


Por mia senhor fremosa quer'eu bem
a quantas donas vej'; e gram sabor
hei eu de as servir, por mia senhor
que amo muit'; e farei ũa rem:
5porque som donas, querrei-lhes fazer
serviço sempr', e querrei-as veer
sempr'u puder e dizer delas bem,
  
por mia senhor, a que quero gram bem,
que servirei já, mentr'eu vivo for.
10Mais enquant'ora nom vir mia senhor
servirei as outras donas por en,
porque nunca vejo tam gram prazer
com'em vee-las, pois nom hei poder
de veer mia senhor que quero bem.
  
 15Ca, de pram, est'é hoj'o mais de bem
 que hei, pero que sõo sabedor
que assi morrerei por mia senhor,
veend'as outras, perdendo meu sem
por veer ela, que Deus quis fazer
20senhor das outras em bem parecer
e em falar e em tod'outro bem.
  
E por aquesta cuid'eu a morrer,
a que Deus fez, por meu mal, tanto bem.



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Nota geral:

Eis uma cantiga de amor que funciona certamente na zona lúdica onde o riso contrabalança os clichés trovadorescos. Dirigindo-se à sua senhor, da qual faz o tradicional elogio, Rui Queimado encontra na impossibilidade de a ver, uma jocosa justificação para ir servindo todas as outras. Como duas outras cantigas de Rui Queimado, também esta faz parte, pois, daquele conjunto alargado de composições que podemos situar nos limites dos géneros fixos cultivados pelos trovadores.



Nota geral


Descrição

Género incerto
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: mia senhor (v. 3 de cada estrofe)
Dobre: bem (v. 1 e 7 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 136, B 257

Cancioneiro da Ajuda - A 136

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 257


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas