Rui Queimado


Sempr'ando cuidando em meu coraçom
com'eu iria mia senhor veer
e em como lh'ousaria dizer
o gram bem que lh'eu quer'; e sei que nom
 5lh'ousarei end'eu dizer nulha rem;
 mais vee-la-ei pouco e irei en
com mui gram coita no meu coraçom.
  
Tal que, se a vir, quantas cousas som
eno mundo nom mi ham de guarecer
10de morte, pois lhe nom ousar dizer
o bem que lh'eu quero. E por en nom
me sei conselho, nem sei ora bem
  se prol m'é d'ir i, se nom; e meu sem
e meus conselhos todos aqui som.
  
15E assi guaresc'há mui gram sazom,
cuidando muit'e nom sei que fazer;
mais pero, pois lhe nom hei a dizer
o bem que lh'eu quero, tenho que nom
 é mia prol d'ir i; mais sei al por en:
20que morrerei, se a nom vir. E quem
sofreu tantas coitas tam gram sazom?
  
Eu e nom outrem, porque me nom tem
por seu! E moir', assi Deus me perdom!



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Nota geral:

O trovador hesita entre ir ver a sua senhora ou não. Por um lado, pensa continuamente em ir confessar-lhe o seu amor. Por outro lado, receia não ter coragem para falar, o que, a acontecer, será mortal para ele, Não sabe assim o que fazer, e há muito tempo que esta hesitação o paralisa: se for vê-la e nada confessar, não será bom para ele; mas, se a não vir, morrerá. E é este dilema que o faz morrer.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: dizer (v. 3 de cada estrofe), nom (v. 4)
Dobre: meu coraçom, som, gram sazom (vv. 1 e 7 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 134, B 255

Cancioneiro da Ajuda - A 134

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 255


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas