Fernão Garcia Esgaravunha


 Punhei eu muit'em me quitar
de vós, fremosa mia senhor,
e nom quis Deus nem voss'amor;
e poilo nom pudi acabar,
5       dizer-vos quer'eu ũa rem
       senhor que sempre bem quige:
       or sachaz veroyamen
       que je soi votr'home lige.
  
De querer bem outra molher
10punhei eu, há i gram sazom,
e nom quis o meu coraçom;
e pois que el nem Deus nom quer,
       dizer-vos quer'eu ũa rem,
       senhor que sempre bem quige:
15       or sachaz veroyamen
       que je soi votr'home lige.
  
E, mia senhor, per bõa fé,
punhei eu muito de fazer
o que a vós forom dizer,
20e nom pud'; e pois assi é,
       dizer-vos quer'eu ũa rem,
       senhor que sempre bem quige:
       or sachaz veroyamen
       que je soi votr'home lige.



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Nota geral:

Original cantiga bilingue, na qual o trovador utiliza o Francês (antigo) nos dois versos finais do refrão. Em termos gerais, ele confessa à sua senhora que bem tentou deixar de a amar mas não o conseguiu. Assim sendo, só quer que ela saiba uma coisa: que ele é verdadeiramente o seu vassalo (home lige, expressão habitual na linguagem feudal francesa).
Atendendo à biografia do trovador, que desaparece da documentação portuguesa uns anos antes da guerra civil que levou à deposição de D. Sancho II, e que encontramos, em 1247, ao lado do Conde de Bolonha, futuro D. Afonso III, não é impossível que esta cantiga tenha sido composta em França, nos anos em que o Conde aí residia e reunia forças.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 126, B 241

Cancioneiro da Ajuda - A 126

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 241


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas