Fernão Garcia Esgaravunha


Des hojemais já sempr'eu rogarei
Deus por mia mort', e se mi a dar quiser,
 que mi a dê cedo, ca m'é mui mester,
senhor fremosa, pois eu per vós sei
5       ca nom há Deus sobre vós tal poder
       per que me faça vosso bem haver.
  
E já eu sempre serei rogador
des hojemais pola mia mort'a Deus,
chorando muito destes olhos meus,
10pois per vós sei, fremosa mia senhor,
       ca nom há Deus sobre vós tal poder
       per que me faça vosso bem haver.
  
Ca enquant'eu cuidei ou entendi
ca me podia Deus vosso bem dar,
15nunca Lh'eu quis por mia morte rogar;
mais, mia senhor, já per vós sei assi
       ca nom há Deus sobre vos tal poder
       per que me faça vosso bem haver.



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora formosa, o trovador diz-lhe que passou a pedir a morte a Deus, uma vez que sabe agora que Ele não tem poder para a influenciar no sentido de lhe conceder os seus favores. Enquanto teve essa esperança, nunca Lhe pediu tal coisa, mas, desenganado, pede-lhe agora uma morte rápida.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 125, B 240

Cancioneiro da Ajuda - A 125

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 240


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas