Fernão Garcia Esgaravunha


A melhor dona que eu nunca vi,
 per bõa fé, nem que dizer,
e a que Deus fez melhor parecer,
mia senhor est, e senhor das que vi,
 5de mui bom preço e de mui bom sem,
per bõa fé, e de tod'outro bem
de quant'eu nunca doutra dona oí.
  
E bem creede, de pram, que é 'si,
e será já, enquant'ela viver,
10e quen'a vir e a bem conhocer,
sei eu, de pram, que dirá que é 'si.
Ainda vos de seu bem mais direi:
é muit'amada, pero que nom sei
quen'a tam muito ame come mim.
  
15E por tod'esto mal dia naci,
porque lhe sei tamanho bem querer,
como lh'eu quer'e vejo-me morrer,
e non'a vej', e mal dia naci!
Mais rog'a Deus, que lhe tanto bem fez,
20que El me guise com'algũa vez
 a veja ced', u m'eu dela parti,
  
com melhor coraçom escontra mim.



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Nota geral:

O trovador faz, nesta cantiga, o tradicional elogio da sua senhora: a melhor dona do mundo, a mais formosa, a de melhor reputação, a mais sensata, qualidades que a fazem de muitos amada, embora por ninguém tanto como por ele. Não podendo vê-la, o trovador pede finalmente a Deus que torne isso possível. e que, nessa altura, a encontre com melhor disposição para com ele do que da última vez.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras cobras uníssonas (rima c singular)
Dobre: vi, que é 'si, mal dia naci (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 118, B 234

Cancioneiro da Ajuda - A 118

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 234


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas