Fernão Garcia Esgaravunha


Quem vos foi dizer, mia senhor,
que eu desejava mais al
ca vós, mentiu, [e] senom, mal
me venha de vós e de Deus!
5E senom, nunca estes meus
olhos vejam nẽum prazer
de quant'al desejam veer!
  
E veja eu de vós, senhor,
e de quant'al amo, pesar,
10se nunca no vosso logar
tive rem no meu coraçom;
atanto Deus nom me perdom
nem me dê nunca de vós bem,
que desej'eu mais doutra rem!
  
15E per bõa fé, mia senhor,
amei-vos muito mais ca mi,
e se o nom fezesse assi,
 de dur verri'aqui mentir
a vós, nem m'iria partir
20d'u eu amasse outra molher
mais ca vós; mais pois que Deus quer
  
que eu a vós queira melhor,
valha m'El contra vós, senhor,
 ca muito me per é mester!



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Nota geral:

O trovador defende-se dos caluniadores que dizem que o seu coração não é exclusivamente da sua senhora: mentem, jura, e se não é assim, nunca Deus lhe dê qualquer outro prazer na vida. De resto, como acrescenta na 3ª estrofe, se não a amasse sobre todas as outras, não teria vindo expressamente só para lhe mentir, nem se teria afastado da suposta outra.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares (rima a uníssona)
Palavra(s)-rima: senhor (v. 1 de cada estrofe)
Palavra perduda: v. 1 de cada estrofe
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 115, B 231

Cancioneiro da Ajuda - A 115

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 231


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas