Fernão Garcia Esgaravunha


 Que grave cousa, senhor, d'endurar
pera quem há sabor de vos veer:
per nulha rem de nom haver poder,
senom mui pouco, de vosco morar!
5E esso pouco que vosc'estever,
entender bem, senhor, se vos disser
 algũa rem, ca vos dirá pesar.
  
A mim avém a que quis Deus guisar
 d'haver gram coita mentr'eu viver,
10pois a vós pesa de vos eu dizer
qual bem vos quero; mais a Deus rogar
 quer'eu assi, ca assi m'é mester:
que El me dê mia mort', e se nom der,
tal coraçom a vós d'en nom pesar.
  
15E mia senhor, por Deus que vos falar
fez mui melhor e melhor parecer
de quantas outras donas quis fazer,
 por tod'aqueste bem que vos foi dar,
vos rog'hoj'eu por El que, pois El quer
20que vos eu ame mais doutra molher,
que vos nom caia, senhor, em pesar!



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Nota geral:

Para além do sofrimento de estar perto da sua senhora mas de poucas vezes poder estar com ela, o trovador confessa-lhe o seu sofrimento maior: o de saber que o seu amor lhe pesa. Por isso só pede a Deus uma de duas coisas: ou que o faça morrer ou que permita que ela o aceite



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: pesar (v. 7 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 114, B 230

Cancioneiro da Ajuda - A 114

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 230


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas