Pero Garcia Burgalês


Que muit'há já que a terra nom vi
u est a mui fremosa mia senhor,
de que m'eu trist'e chorando parti
e muit'anvidos e mui sem sabor,
5por que me disse que me partiss'en!
Ai mia senhor e meu lum'e meu bem,
mais fremosa das donas que eu vi!
  
E, meus amigos, por meu mal a vi
das outras donas parecer melhor;
10e fez-mi-a Deus veer por mal de mim,
 meus amigos, ca, de pram, a maior
 coita do mundo viv'hoje por en,
como querer-lhe melhor doutra rem
e non'a ver, amigos, u a vi.
  
15Mais u mi a Deus primeiro fez veer,
mais me valvera de morrer entom!
Pois que mi a Deus tam gram bem fez querer
que bem mil vezes, si Deus me perdom!,
esmoresco no dia, que nom sei
20que me faço, nem que digo, tant'hei,
amigos, gram coita pola veer!



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Nota geral:

Longe da terra onde está a sua senhora, há muito sem a ver, e tendo partido, por sua ordem, triste e contrariado, o trovador lamenta-se junto dos seus amigos: sendo ela a mais bela que Deus fez, o seu sofrimento é imenso. Mais lhe valia ter morrido no dia em que a conheceu! Agora, mais de mil vezes ao dia esmorece, e já não sabe o que faz ou o que diz, tal é a ânsia de a voltar a ver.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Dobre: Dobre/Mozdobre: vi, veer (vv. 1 e 7 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 103, B 211

Cancioneiro da Ajuda - A 103

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 211


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas