Pero Garcia Burgalês


Pola verdade que digo, senhor,
me querem mal os mais dos que eu sei:
porque digo que sodes a melhor
dona do mund'; e verdade direi!
5Já m'eles sempre mal podem querer
por aquesto, mais enquant'eu viver,
nunca lhes tal verdade negarei.
  
E mia senhor, enquant'eu vivo for
 - se nom perder aqueste sem que hei,
10mal pecado!, de que nom hei pavor
de o perder - e non'o perderei;
ca perderia, pelo sem perder,
gram coita que me fazedes haver,
senhor fremosa, des que vos amei.
  
 15E, mia senhor, quem vos nunca viu tem
que vos louv'eu por vos prazentear;
e Deus, senhor, nom me dê vos[so] bem,
nem outro bem que me podia dar,
se vos lôo 'n sobr'aquesto, senhor;
20mais porquanto sodes vós a milhor
dona do mund': esto vos faz loar!



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Nota geral:

O trovador diz à sua senhora que os seus amigos lhe querem mal porque diz a verdade: que ela é a melhor dona do mundo. E continuará a dizê-lo, apesar dessas reações, pelo menos enquanto não ficar louco (coisa que decerto não acontecerá, pois preza o sofrimento que ela lhe dá). De resto, se esses amigos, que nunca a viram, acham que ele só a louva para a lisonjear, ele garante que não é isso que o move, mas sim o facto de ela ser efetivamente a melhor dona do mundo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 93, B 197

Cancioneiro da Ajuda - A 93

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 197


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas