Pero Garcia Burgalês


Pois contra vós nom me val, mia senhor,
de vos servir, nem de vos querer bem,
maior ca mi, senhor, nem outra rem,
valha-me já contra vós a maior
5coita que sofro por vós das que Deus
 fezo no mund', ai lume destes meus
olhos e coita do meu coraçom!
  
E se me contra vós nom val, senhor,
a mui gram coita que me por vós vem,
10per que perdi o dormir e o sem,
valha-me já contra vós o pavor
que de vós hei: que nunca ousei dizer
a coita que me fazedes haver,
que neguei sempr'há i mui gram sazom!
  
15E se m'esto contra vós, mia senhor,
nom val, quer'eu a Deus rogar por en
que me valha, que vos em poder tem,
e que vos fez das do mundo melhor
falar, senhor, e melhor parecer.
20E se m'esto contra vós nom valer,
nom me valrá log'i se morte nom!



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Nota geral:

O trovador faz sucessivas preces à sua senhora: em primeiro lugar, se perante ela de nada lhe vale o serviço que lhe presta e o amor que lhe tem, então que lhe valha o sofrimento que por ela padece, e que lhe fez perder o sono e o juízo. Mas se este sofrimento não lhe valer, que lhe valha o medo que tem dela, um medo que o impede de lhe confessar este sofrimento, que sempre escondeu. E se nada disto lhe valer, só lhe resta pedir a Deus que lhe valha, agindo sobre a sua senhora (a mais arguta e a mais bela). Por fim, se nada resultar, só a morte lhe poderá valer.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
Palavra(s)-rima: senhor (v. 1 de cada estrofe)
Palavra perduda: v. 7 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 83, B 187bis

Cancioneiro da Ajuda - A 83

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 187bis


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas