Nuno Fernandes Torneol


Que bem que m'eu sei encobrir
com mia coita e com meu mal!
Ca mi o nunca pod'hom'oir.
Mais que pouco que mi a mim val!
5Ca nom quer'eu bem tal senhor
que se tenha por devedor
algũa vez de mi o gracir.
  
Pero faça como quiser,
ca sempre a eu servirei
10e quanto a negar poder,
todavia negá-la-ei.
Ca eu por que hei a dizer
o por que m'hajam de saber
quam gram sandece comecei
  
15e de que me nom há quitar
nulha cousa, se morte nom?
(pois Deus, que mi a fez muit'amar,
nom quer, nen'o meu coraçom)
Mais a Deus rogarei por en
20que me dê cedo dela bem,
ou morte, se m'est'há durar.
  
E bem dev'eu ant'a querer
mia morte ca viver assi,
pois me nom quer Amor valer,
25e a que eu sempre servi
me desama mais doutra rem.
Pero fui home de mal sem
porque, d'u ela é, saí!



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Nota geral:

O trovador felicita-se por tão bem saber esconder o seu sofrimento de amor - por ele, ninguém o irá saber. Mas lamenta que isso não lhe adiante, já que a sua senhora nem sequer se sente obrigada a agradecer-lho, ao menos uma vez. Mas, faça ela o que fizer, ele guardará o seu silêncio. Até porque não vê motivo para dar a conhecer aos outros a loucura que cometeu ao amá-la. Apenas pedirá a Deus que lhe conceda os seus favores ou que lhe dê a morte. No final da cantiga, lamenta ainda ter cometido uma outra insensatez: ter-se afastado dela.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 77, B 180bis

Cancioneiro da Ajuda - A 77

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 180bis


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas