Cantiga referida em nota
  (linha 28)

Pero da Ponte


Dom Bernaldo, pois tragedes
convosc'ũa tal molher,
a peior que vós sabedes,
se o alguazil souber,
5açoutar-vo-la querrá,
e a puta queixar-s'-á,
e vós assanhar-vos-edes.
  
Mais vós, que tod'entendedes
quant'entende bom segrel,
10pera que demo queredes
puta que nom há mester?
Ca vedes que vos fará:
em logar vos meterá
 u vergonha prenderedes.
  
15Mais que conselho faredes,
se alguém a 'l-rei disser
ca molher vosco teedes
e a justiçar quiser?
Senom Deus nom lhi valrá;
20e vós, a quem pesará,
valer nom lhi poderedes.
  
E vós mentes nom metedes,
se ela filho fezer,
andando, como veedes,
25com algum peom qualquer,
 aqual temp'havemos já?
Alguém vos sospeitará
que no filho part'havedes!



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Nota geral:

Maliciosa cantiga contra o segrel Bernaldo do Bonaval, cuja alegada vida dissoluta e gostos homossexuais deram azo a várias chacotas no círculo trovadoresco de Afonso X. Aqui trata-se de o precaver contra as consequências de trazer consigo uma mulher de má fama - é que, para além dos prováveis problemas judiciais, se ela engravidasse, alguém poderia pensar que o filho era dele.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1641, V 1175

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1641

Cancioneiro da Vaticana - V 1175


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas