Nuno Fernandes Torneol


Quer'eu a Deus rogar de coraçom,
com'home que é coitado d'amor,
que El me leixe veer mia senhor
 mui ced'; e se m'El nom quiser oir,
 5logo lh'eu querrei outra rem pedir:
       que me nom leixe no mundo viver!
  
E se m'El há de fazer algum bem,
oir-mi-á 'questo que Lh'eu rogarei
e mostrar-mi-á quanto bem no mund'hei.
10E se mi o El nom quiser amostrar,
logo Lh'eu outra rem querrei rogar:
       que me nom leixe no mundo viver!
  
E se m'El amostrar a mia senhor,
que am'eu mais ca o meu coraçom,
15vedes o que Lhe rogarei entom:
que me dê seu bem, que m'é mui mester;
e rogá'-Lh'-ei que, se o nom fezer,
       que me nom leixe no mundo viver!
  
E rogá'-Lh'-ei, se me bem há fazer,
20que El me leixe viver em logar
u a veja e lhe possa falar,
por quanta coita me por ela deu;
senom, vedes que Lhe rogarei eu:
       que me nom leixe no mundo viver!



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

O trovador diz que irá pedir a Deus para lhe deixar ver a sua senhora muito em breve. E, se Ele não o atender, pedir-Lhe-á então que o faça morrer. Mas, se Deus quiser ser misericordioso, ouvi-lo-á. Nesse caso, se puder ver a sua senhora, pedir-Lhe-á ainda outra coisa: que ela lhe seja favorável (ou que lhe dê a morte). E, se ela assim proceder, uma terceira coisa pedirá a Deus: que o deixe viver perto dela (ou que lhe dê a morte).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 75, B 188

Cancioneiro da Ajuda - A 75

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 188


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas