Diego Pezelho


Meu senhor arcebispo, and'eu escomungado
porque fiz lealdade: enganou-mi o pecado.
       Soltade-m', ai, senhor,
       e jurarei, mandado,
5       que seja traedor.
  
Se traiçom fezesse, nunca vo-la diria;
mais, pois fiz lealdade, vel por Santa Maria,
       soltade-m', ai, senhor,
       e jurarei, mandado,
10       que seja traedor.
  
Per mia malaventura, tivi um castelo em Sousa
e dei-o a seu don'e tenho que fiz gram cousa.
       Soltade-m', ai, senhor,
       e jurarei, mandado,
15       que seja traedor.
  
Per meus negros pecados, tive um castelo forte
e dei-o a seu dono, e hei medo da morte.
       Soltade-m', ai, senhor,
       e jurarei, mandado,
20       que seja traedor.



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Nota geral:

Uma das três cantigas que nos chegaram relativas à posição dos alcaides na crise que levou à deposição de D. Sancho II. Nesta única composição sua que os cancioneiros nos transmitiram, o jogral Diogo Pezelho junta-se, pois, às vozes dos que atribuíam à Igreja um papel fundamental no que consideravam ser uma traição colectiva, a entrega dos castelos ao futuro Afonso III. Expressivamente, é pela boca do leal alcaide de Sousa que o jogral alude ironicamente aos factos, nomeadamente à excomunhão com que este alcaide teria sido fulminado pelo arcebispo de Braga.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1592, V 1124
(C 1592)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1592

Cancioneiro da Vaticana - V 1124


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas