Nuno Rodrigues de Candarei


 Em gram coita vivo, senhor,
a que me Deus nunca quis dar
conselh'; e quer-xi-me matar
e a mim seria melhor;
5e por meu mal se me detém
– por vingar-vos, mia senhor, bem
de mim, se vos faço pesar.
  
E assi hei eu a morrer,
veendo mia mort'ante mi
10e nunca poder filhar i
conselho, nen'o atender
de parte do mund'; e bem sei,
senhor, que assi morrerei,
pois assi é vosso prazer.
  
15E ben'o podedes fazer,
se vos eu morte mereci;
mais, por Deus, guardade-vos i,
 ca tod'é em vosso poder.
E, senhor, preguntar-vos-ei:
20por serviço que vos busquei,
 se hei por en mort'a prender?



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Nota geral:

O trovador queixa-se do seu mal de amor, que o levará à morte. No entanto, essa morte tarda, e o seu sofrimento prolongado será talvez a vingança da senhora pelo incómodo que o seu amor lhe causa. No final o trovador pede-lhe para não o matar, pois o serviço que sempre lhe prestou não justifica a morte.
A cantiga aparece duas vezes nos Cancioneiros, numa delas sendo atribuída a João de Gaia (mas com uma estrofe suplementar, nessa ocorrência, a 2ª). Remetemos para a nota de autoria, onde discutimos os dados do problema.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Palavra(s)-rima: imperf. (v. 3 em II e III) i
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Fontes manuscritas

A 68, B 181bis

Cancioneiro da Ajuda - A 68

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 181bis


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas