Pesquisa no glossário
  (linha 13)

João Vasques de Talaveira


Direi-vos ora que dizer      ←
de Maria Leve, assi haja bem,      ←
 pola manceba: que se desavém      ←
dela; e pois lh'ali nom quer viver,      ←
 5       ena Moeda Velha vai morar      ←
       Dona Maria Leve, a seu pesar.      ←
  
 Ca atal dona com'ela guarir      ←
nom pod'ali, se manceba nom há;      ←
e vedes que oí, amigos, já:      ←
10que, pois que se lh'a manceba quer ir,      ←
       ena Moeda Velha vai morar      ←
       Dona Maria Leve, a seu pesar.      ←
  
 Ca diz que morará ali mal e alhor,      ←
poila manceba sigo nom houver;      ←
15e contra Sam Martinho morar quer,      ←
pola manceba: que, xi lh'ora for,      ←
       ena Moeda Velha vai morar      ←
       Dona Maria Leve, a seu pesar.      ←
  
Ca nom pod'a manceba escusar,      ←
20se na Moeda Velha nom morar.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Sátira contra a soldadeira Maria Leve. A cantiga refere - maliciosamente - o grande "apego" que ela teria a uma sua criada e que a levaria a mudar-se, de armas e bagagens, para a rua de má fama onde a dita criada queria viver. O equívoco talvez se complete com o facto de Leve poder funcionar não apenas como alcunha, mas também como verbo, cujo sujeito é a manceba: o trovador pediria assim que ela levasse, de vez, e mesmo contra a sua vontade, a soldadeira. A cantiga tem, no entanto, alguns pontos obscuros. Atendendo às cantigas seguintes, não é impossível que esta Maria Leve fosse a famosa Maria Peres Balteira, aqui eventualmente referida por uma sua alcunha (note-se que "leve" significava também "tonta, leviana").



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1545
(C 1545)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1545


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas