Gil Peres Conde


D'um home sei eu de mui bom logar
 que filha sempre, u anda e aqui,
alg'a quem quer; e nom perde per i,
 ant'anda mui mais viçoso por en;
5pero lho nós nom teemos por bem,
[por seer home de mui bom logar].
  
Eu vos direi del de que logar é:
de mui melhor logar que infançom
 nem ca ric'home, se mui poucos nom.
10Travam-lhi por algo que [el] filhou
a seus amigos; e a todos pesou,
os que sabemos de que logar é.
  
De melhor logar nom pode seer
home do mundo, se nom [se] for rei,
15de tôdolos logares que lh'eu sei;
por en dizem que nunca mais valrá
home que filha sempr'e que nom dá,
[e que valer mais nom pode seer].
  
Ante cuido que sempre decerá
20d'honra e de bondad[e] e d'haver.



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Nota geral:

Sátira a um magnate não identificado por gostar de se apropriar do alheio, sem dar nada em troca. A cantiga faz uma espécie de jogo com a identidade e a categoria social do visado: é exatamente por causa do seu "alto lugar" que o seu comportamento é mais mesquinho.
Carolina Michaelis supôs que o visado seria um dos membros da família real, talvez um dos irmãos de Afonso X, com os quais o rei entrou várias vezes em litígio. Mas talvez não seja descabido ver na cantiga um subtil remoque ao próprio rei, atendendo ao que diz Gil Peres Conde noutras cantigas.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
Dobre: de mui bom logar, de que logar é, nom pode seer (vv. 1 e 6 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1531

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1531


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas