Gil Peres Conde


Assi and'eu por serviço que fiz
a senhor que me nom quer fazer bem;
pero senhor é que tod'aquel bem
do mundo [há e] sabe que [lh]i fiz
5serviç'e nom poss'haver seu amor.
Assi and'eu cada dia peor,
porque mi nom faz amor nem mi o diz.
  
 Assi and'eu end'ajudando quem
 mi o nom gradece nem mi o quer cobrar;
10[...................................... cobrar]
posso melhor; e tod'est'hei com quem
fal'eu e digo-lh'as coitas que hei.
Assi and'eu como nunca andei,
e nom mi fala nem dá por mi rem.
  
15Assi and'eu meu tempo perdend'i,
pero tenho que o perço por prez
e por senhor do mundo mais de prez;
perço preç'e tenho que per[den]d' i
 seu conhocer contra mi; e por en
20assi and'eu, que vergonça hei [en]
de lho dizer eu, nem outrem por mim.
  
Assi and'eu atendendo seu bem,
por quanto mal por seu amor sofri.



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Nota geral:

Numa cantiga formalmente requintada, o trovador desespera perante uma senhora indiferente, que não lhe agradece o facto de a servir e o deixa suspenso e sem resposta.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Dobre: Dobres: fiz, quem, perdend'i (vv. 1 e 4 de cada estrofe); bem, cobrar, prez (vv. 2 e 3); assi and'eu (vv. 1 e 6)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1530

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1530


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas