Martim Soares


Tal hom'é coitado d'amor
 que se nom dol ergo de si;
 mais doutra guis'avém a mi,
se me valha Nostro Senhor:
5por gram coita que d'amor hei
já sempre doo haverei
de quem dele coitado for.
  
E de quem filhar tal senhor
que lhi nom queira valer i,
10qual eu filhei, que, poila vi,
sempre me teve na maior
coita das que no mundo sei.
E como me nom doerei
de quem d'atal vir sofredor?
  
 15Ca de tal coita sabedor
sõo, por quanto mal sofri
 amand'; e nunca m'en parti,
e cada vez mi foi peor;
e por esto, per que passei,
20de me doer gram dereit'hei
de quem assi for amador.



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Nota geral:

Um homem apaixonado geralmente só pensa no seu sofrimento. Mas o trovador diz-nos que com ele é diferente: por causa do seu sofrimento, tem dó de todos os que sofrem. E tem dó daqueles que, como ele, escolheram uma senhora que não lhes quer valer. Na verdade, como conhece o mal que se sofre nesta situação por experiência própria, é justo que se condoa de todos os que passam pelo mesmo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 60, B 171

Cancioneiro da Ajuda - A 60

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 171


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas