Martim Soares


Por Deus vos rogo, mia senhor,
que me nom leixedes matar,
se vos prouguer, a voss'amor;
e se me quiserdes guardar
5de morte, guardaredes i
voss'home, se guardardes mi
– e que vos nunca fez pesar.
  
E se quiserdes, mia senhor,
mim em poder d'Amor leixar,
10matar-m'-á el, pois esto for;
e quem vos vir desamparar
mim, que fui vosso pois vos vi,
terrá que faredes assi
depois a quem s'a vós tornar.
  
15E se me contra vós gram bem
que vos quero prol nom tever,
matar-mi-á voss'amor por en
– e a mim será mui mester,
 ca log'eu coita perderei;
20mas de qual mort'eu morrerei
se guarde quem vos bem quiser.
  
E querrá-se guardar mui bem
de vós quem mia morte souber
- e tenho que fará bom sem;
25e se se guardar nom poder,
haverá de vós quant'eu hei:
atal coita de que bem sei
que morrerá quen'a houver.



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Nota geral:

Martim Soares retoma de novo o quadro e o vocabulário feudais, pedindo à sua senhora que o proteja do Amor, que o quer matar - a ele, o seu homem, isto é, o seu vassalo. E se ela permitir tal coisa, todos irão pensar que ela fará o mesmo a qualquer um que a procure em busca de proteção. Se o grande amor que lhe tem não lhe valer, no entanto, a morte será bem-vinda, pois acabará com o seu sofrimento. Mas o trovador avisa todos os outros que será esse o destino que pode esperar quem a amar, e que farão melhor em evitá-lo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Palavra(s)-rima: mia senhor (I, II), bem (III, IV) (v. 1 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 58, B 169

Cancioneiro da Ajuda - A 58

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 169


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas