Gonçalo Anes do Vinhal


Quantos mal ham, se quere[m] guarecer,
 se x'agora per eles nom ficar,
venham este maestre bem pagar,
e Deu'los pode mui bem guarecer;
 5ca nunca tam mal doent'home achou
 nem tam perdudo, des que el chegou,
se lh'algo deu, que nom fosse catar.
  
Quiçá non'o pod'assi guarecer,
que este poder nom lho quis Deus dar,
10[j]á que nom sabe que possa saar
o doente, meos de guarecer;
mais preguntar-lh'-á de que enfermou,
come maestr'; e, se o bem pagou,
nom leix'a guarir, polo el preguntar.
  
15Ca vos nom pod'el assi guarecer
o doente, meos de terminhar;
 mais, pois esto for, se quis[er] filhar
seu conselho, pode bem guarecer:
se se bem guardar, poilo el catou,
20bem guar[i]rá do mal, ca terminhou;
e diz o maestre: - Se lhi nom tornar.
  
Ca o doente, de que el pensou
por um gram tempo, se mui bem saou
[e] se mal nom houver, [já] pod'andar.



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Nota geral:

Jocosa sátira a um médico que desenvolve os temas habituais da incompetência profissional aliada à pressa em receber os elevados honorários. A cantiga gira à volta da ideia de que, se os doentes se curam, não é pelo palavreado do físico, mas pela graça de Deus ou da natureza.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
Dobre: guarecer (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

V 1006

Cancioneiro da Vaticana - V 1006


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas