Pero Garcia Burgalês


 Fernand'Escalho leixei mal doente
com olho mao, tam coitad'assi
que nom guarrá, cuid'eu, tam mal se sente,
per quant'hoj'eu de Dom Fernando vi:
5ca lhi vi grand'olho mao haver,
e nom cuido que possa guarecer
dest'olho mao, tant'é mal doente.
  
E o maestre lhi disse: - Dormistes
com aquest'olho mao; e por en,
10Dom Fernando, nom sei se vó'lo oístes:
"quem se nom guarda, non'o preçam rem";
por en vos quer'eu ũa rem dizer já:
se guarides, maravilha será,
deste olho mao velho que teedes.
  
15Ca conhosc'eu mui bem que vós havedes
 olho mao, mesto com cadarrom;
e deste mal guarecer nom podedes
tam ced', e direi-vos por que nom:
ca vós queredes foder e dormir;
20por esto sodes mao de guarir
dest'olho mao velho que havedes.



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Nota geral:

Esta cantiga e a que imediatamente a segue nos mss. são dirigidas a Fernando Escalho (na seguinte apresentado como cantor), e versam novamente o tema da homossexualidade. Nesta primeira, Pero Garcia Burgalês apresenta-no-lo como doente de mau olhado, fazendo todo um jogo equívoco que a expressão olho mau possibilita (incluindo a alusão a doenças venéreas).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
Dobre: imperf.: (1, 7, em I e III) mal doente, havedes
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1376, V 984

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1376

Cancioneiro da Vaticana - V 984


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas