Martim Soares


Muitos me vêm preguntar,
mia senhor, a quem quero bem;
e nom lhes quer'end'eu falar,
com medo de vos pesar en,
5nem quer'a verdade dizer,
mais jur'e faço-lhes creer
mentira, por vo-lhes negar.
  
E por que me vêm coitar
do que lhes nom direi per rem
10- ca m'atrev'eu em vos amar?
 E mentr'eu nom perder o sem,
nom vos en devedes temer,
ca o nom pod'home saber
per mim, se nom adevinhar.
  
15Nem será tam preguntador
 nulh'home que sábia de mim
rem, per que seja sabedor
[d]o bem que vos quis, pois vos vi.
E pois vos praz, negá-lo-ei
20mentr'o sem nom perder; mais sei
que mi o tolherá voss'amor.
  
E se per ventura assi for,
 que m'ar preguntem des aqui
se sodes vós a mia senhor
25que amei sempre e servi,
vedes como lhes mentirei:
doutra senhor me lhes farei,
ond'haja mais pouco pavor.



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

O tópico do segredo sobre a identidade da amada é o tema desta cantiga. Dirigindo-se à sua senhora, o trovador diz-lhe que, aos muitos que lhe vêem perguntar quem ela é, ele não diz a verdade, com medo de a desgostar, mas mente e jura em falso. De resto, para que o virão importunar com tais perguntas? Na verdade, garante-lhe, enquanto não perder totalmente a razão, ela não terá nada que temer da sua parte, porque nada dirá - por mais insistente que algum deles seja. E se acaso ficar louco, como provavelmente acontecerá, e lhe continuarem a fazer perguntas, inventará um amor por uma outra, de quem tenha muito menos medo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 48, B 160

Cancioneiro da Ajuda - A 48

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 160


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas