Martim Soares


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Senhor fremosa, pois me nom queredes
creer a coita 'm que me tem Amor,
por meu mal é que tam bem parecedes
e por meu mal vos filhei por senhor
 5e por meu mal tam muito bem
dizer de vós e por meu mal vos vi:
pois meu mal é quanto bem vós havedes.
  
E pois vos vós da coita nom nembrades,
nem do afã que mi o Amor faz sofrer,
10por meu mal vivo mais ca vós cuidades
e por meu mal me fezo Deus nacer
e por meu mal nom morri u cuidei
como vos viss'e por meu mal fiquei
vivo, pois vós por meu mal rem nom dades.
  
15[E] desta coita 'm que me vós tẽedes,
em que hoj'eu vivo tam sem sabor,
que farei eu, pois mi a vós nom creedes?
Que farei eu, cativo, pecador?
Que farei eu, vivendo sempre assi?
20Que farei eu, que mal dia naci?
Que farei eu, pois me vós nom valedes?
  
E pois que Deus nom quer que me valhades,
nem me queirades mia coita creer,
que farei eu? Por Deus, que mi o digades!
25Que farei eu, se logo nom morrer?
Que farei eu, se mais a viver hei?
Que farei eu, que conselh'i nom sei?
Que farei eu, que vós desemparades?



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Nota geral:

Uma vez que a sua senhora não quer acreditar no seu sofrimento, toda a sua beleza e qualidades são o mal do trovador. A cantiga, que não oferece grandes dificuldades linguísticas para um leitor atual (como pensamos), termina, de forma muito original, com uma série de perguntas retóricas, que ocupam a totalidade das duas últimas estrofes, e que sublinham o tom emotivo deste apelo à amada.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas (alternadas)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 46, B 158

Cancioneiro da Ajuda - A 46

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 158


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas