Martim Soares


Ai mia senhor! se eu nom merecesse
a Deus quam muito mal lh'eu mereci,
 doutra guisa pensara El de mi,
ca nom que m'em vosso poder metesse;
5mais soube-Lh'eu muito mal merecer
e meteu-m'El eno vosso poder,
 u eu jamais nunca coita perdesse.
  
E, mia senhor, se m'eu desto temesse,
 u primeiro de vós falar ,
 10guardara-m'en de vos veer des i;
mais nom quis Deus que meu mal entendesse
e mostrou-mi o vosso bom parecer,
por mal de mim, e nom m'ar quis valer
 El contra vós, nem quis que m'al valesse.
  
15E, mia senhor, se eu morte prendesse
aquel primeiro dia em que vos vi
fora meu bem; mais nom quis Deus assi,
ante me fez, por meu mal, que vivesse;
ca me valvera a mim mais de prender
20mort'aquel dia que vos fui veer,
que vos eu visse nem vos conhocesse.



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Nota geral:

O trovador diz à sua senhora que, se não o tivesse merecido, Deus tê-lo-ia tratado doutra maneira e não o teria deixado cair sob o seu domínio, sofrendo mágoa sem fim.
E se ele tivesse tido a noção do que o esperava logo na primeira vez que ouviu falar dela, teria evitado conhecê-la. Mas Deus não quis que assim fosse, e tendo visto a sua beleza, já nada lhe pode valer.
Teria sido preferível, pois, ter morrido nesse mesmo dia em que a conheceu, coisa que também Deus não quis.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 40, B 152

Cancioneiro da Ajuda - A 40

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 152


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas