Paio Soares de Taveirós


Meus olhos, quer-vos Deus fazer
ora veer tam gram pesar,
onde me nom poss'eu quitar
sem mort'! E nom poss'eu saber
5       porque vos faz agora Deus
       tam muito mal, ai olhos meus!
  
 Ca vos farám cedo veer
a por que eu moiro casar;
e nunca me dela quis dar
10bem; e nom poss'or'entender
       porque vos faz agora Deus
       tam muito mal, ai olhos meus!
  
E de quem vos esto mostrar,
nunca vos mostrará prazer,
15ca log'eu i cuid'a morrer,
olhos; e nom poss'eu osmar
       porque vos faz agora Deus
       tam muito mal, ai olhos meus!



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Nota geral:

É aos seus próprios olhos que o trovador se dirige nesta cantiga, lamentando que Deus lhes queira fazer ver em breve algo que lhe causará um desgosto de morte: o casamento da sua senhora. E não compreende tamanha crueldade da parte de Deus.
Para além da original apóstrofe, o facto de o trovador se referir à circunstância concreta que o faz sofrer (o casamento da amada) singulariza esta composição no conjunto das cantigas de amor (apenas em duas outras cantigas, uma de Fernão Velho e outra de Lourenço, encontramos referências semelhantes). De resto, esta circunstância é igualmente referida em duas outras cantigas do trovador.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 34, B 149

Cancioneiro da Ajuda - A 34

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 149


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas