Pero de Berdia


Assanhou-s'o meu amigo
a mi, porque nom guisei
como falasse comigo:
Deus lo sabe, nom ousei;
5e por en, se quiser, ande
        sanhud'e nom mi o demande;
       quant'el quiser, atant'ande
       sanhud'e nom mi o demande.
  
Enviar quer'eu, velida,
10a meu amigo que seja
em Santa Marta, na ermida
 migo led'e i me veja,
se quiser, e se nom, ande
       sanhud'e nom mi o demande;
15       quant'el quiser, atant'ande
       sanhud'e nom mi o demande.
  
Depoi'lo tiv'eu guisado
que s'el foi daqui sanhudo,
 e atendi seu mandado
20e non'o vi, e perdudo
é comigo, e alá x'ande
       sanhud'e nom mi o demande;
       quant'el quiser, atant'ande
       sanhud'e nom mi o demande.
  
25Sei que nom sab'a mia manha,
pois que m'enviar nom quer
mandadeir'e xi m'assanha;
verrá, se m'eu quiser,
mais nom quer'eu, e el ande
30       sanhud'e nom mi o demande;
       quant'el quiser, atant'ande
       sanhud'e nom mi o demande.



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Nota geral:

Como a moça não arranjou maneira de falarem, o seu amigo anda zangado. Mas, se ela não arranjou, foi apenas por receio (da mãe?). Portanto, se ele quer andar zangado que ande e não lhe faça mais pedidos.
De qualquer modo, ela vai enviar-lhe uma mensagem a sugerir-lhe para se encontrarem na ermida de Santa Marta - e se ele quiser aparecer, que apareça. Só depois de ele se ir embora é que ela arranjou esta possibilidade, mas, apesar de ela ter esperado notícias dele, ele nada lhe diz.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Palavra(s)-rima: ande (v. 5 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1120bis, V 712
(C 1121)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1120bis

Cancioneiro da Vaticana - V 712


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas