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Pero de Berdia


Jurava-mi o meu amigo      ←
quand'el falava comigo,      ←
que nunc'alhur viveria      ←
sem mi; e nom mi queria      ←
5       tam gram bem como dizia.      ←
  
Foi um dia polo veer      ←
 a Santa Marta, e maer      ←
u m'el jurou que morria      ←
por mi; mais nom mi queria      ←
10       tam gram bem como dizia.      ←
  
Se m'el desejasse tanto      ←
como dizia, logo ant'o      ←
tempo que disse verria;      ←
mais sei que mi nom queria      ←
15       tam gram bem como dizia.      ←
  
Pod'el tardar quanto quiser,      ←
mais, por jurar quando veer,      ←
já vo-lh'eu nom creeria;      ←
ca sei que mi nom queria      ←
20       tam gram bem como dizia.      ←
  
Ai fals', e por que mentia      ←
quando mi bem nom queria?      ←



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Nota geral:

A moça queixa-se que as juras do seu amigo eram falsas: dizia-lhe que não podia viver longe dela, mas quando ela foi ter com ele a Santa Marta (e para passar a noite), ele a fez esperar imenso tempo. Na verdade, se ele a desejasse tanto como dizia, decerto que estaria lá muito antes da hora combinada. Assim sendo, até pode demorar o tempo que quiser, mas em juras de amor a moça já não acredita.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Palavra(s)-rima: nom mi/ mi nom queria (v. 4 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1119, V 710
(C 1119)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1119

Cancioneiro da Vaticana - V 710


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas