João Servando


Amigos, cuido sempr'em mia senhor,
por lhi fazer prazer, [se Deus m'ampar]
pero direi que mi avém em cuidar:
hei a cuidar em cuidá'lo melhor,
5       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
E o cuidar que eu cuid'e cuidei,
des aquel dia 'm que mia senhor vi,
log'em cuidar sempre cuidei assi,
10por cuidar end'o melhor, e o cuidei;
       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
 Tanto cuidei [eu] já que nom há par
em mia senhor se mi faria bem;
15em cuidar nom me partiria en,
se poderia o melhor cuidar;
       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
Par Sam Servando, mentr'eu já viver,
20por mia senhor cuid'e cuid'a morrer.



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Nota geral:

Composição que se desenvolve em torno de um cerrado jogo com o verbo cuidar (pensar, refletir): desde que conheceu a sua senhora, o trovador só pensa nela e em pensar o melhor possível; mas, por mais que pense, não pode descobrir uma maneira de ela lhe conceder os seus favores. E, enquanto for vivo, assim vai continuar: pensando nela e pensando em morrer.
Note-se que, na finda, o trovador aproveita para deixar a sua marca de autor, através da invocação a S. Servando (presente em todas as suas cantigas de amigo).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1075, V 665

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1075

Cancioneiro da Vaticana - V 665


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas