João Airas de Santiago


- Ai mia filha, de vós saber quer'eu
porque fezestes quanto vos mandou
voss'amigo, que vos nom ar falou.
- Par Deus, mia madre, direi-vo-lo eu:
5       cuid[ava-m]'eu melhor haver per i
        e semelha-mi que nom est assi.
  
- Por que fezestes, se Deus vos dê bem,
filha, quanto vos el vẽo rogar?
Ca des entom nom vos ar quis falar.
10- Direi-vo-l[o] eu, se Deus mi dê bem:
       cuid[ava-m]'eu melhor haver per i
       e semelha-mi que nom est assi.
  
- Por que fezestes, se Deus vos perdom,
filha, quanto vos el vẽo dizer?
15Ca des entom nom vos ar quis veer.
- Direi-vo-l[o] eu, se Deus mi perdom:
       cuid[ava-m]'eu melhor haver per i
       e semelha-mi que nom est assi.
  
 [E] bom dia naceu, com'eu ,
20que[m] se doutro castiga e nom de si.



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Nota geral:

Neste diálogo entre mãe e filha, a mãe censura a filha por esta ter cedido aos pedidos do seu amigo, o qual, desde então, nunca mais voltou a aparecer. Julgava que seria o melhor, responde a donzela, mas parece-lhe agora que não.
A cantiga termina com uma finda algo misteriosa, até por não ser inteiramente claro se quem fala é a filha ou a mãe. O sentido geral é irónico: feliz aquele que sabe criticar os outros mas não a si mesmo. Se este comentário final é dito pela filha, como parece mais plausível, ela aludirá aqui ou a um comportamento semelhante (e censurável) da mãe, ou, eventualmente, ao facto de a sua atitude face ao amigo ter sido ideia da própria mãe.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão, Dialogada
Cobras singulares
Dobre: eu, dê bem, perdom (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1025, V 615

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1025

Cancioneiro da Vaticana - V 615


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas