João Airas de Santiago


Amigo, quando me levou
mia madr', [a] meu pesar, daqui,
nom soubestes novas de mi,
e por maravilha tenho
5por nom saberdes quando vou
nem saberdes quando venho.
  
 Pero que vos [ch]amades meu
amigo, nom soubestes rem
quando me levarom daquém,
10e maravilho-me ende
por nom saberdes quando m'eu
venh'ou quando vou daquende.
  
Catei por vós quand'a partir-
-m'houve daqui e pero nom
15vos vi nem veestes entom,
e mui queixosa vos ando
por nom saberdes quando m'ir
quer'ou se verrei já quando.
  
E por amigo nom tenho
20o que nom sabe quando vou
nem sabe quando me venho.



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Nota geral:

De regresso de uma forçada viagem, e em tom de censura, a donzela espanta-se por o seu amigo não ter sabido (por não se ter esforçado, subentende-se) que a sua mãe a tinha obrigado, contra a sua vontade, a partir. Bem olhou para todo o lado, no momento da partida, mas não o viu. Não é próprio de um amigo apaixonado não querer saber quando a sua amada parte ou regressa.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

V 598

Cancioneiro da Vaticana - V 598


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas