Martim Anes Marinho
Trovador medieval


Nacionalidade: Galega?

Notas biográficas:

Trovador possivelmente galego, membro da importante família dos Marinho. Se este é o seu perfil geral, algumas dúvidas subsistem, no entanto, quanto à sua identificação e cronologia concretas. Duas hipóteses têm sido avançadas. A primeira, a inicialmente proposta por López Ferreiro e Cotarelo Valledor1, e também a defendida por Tavani2, a de que se trataria de um dos filhos de João Froiaz de Valadares, como tal referido no Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, sendo, pois, irmão dos trovadores Osoiro Anes e Pero Anes Marinho. Atendendo à cronologia do primeiro, a atividade trovadoresca de Martim Anes dataria, nestas circunstâncias, do segundo terço do século XIII. Resende de Oliveira3, no entanto, tendo em conta a evidente relação entre o irmão Pero Anes e o trovador João Airas de Santiago (atestada pela também única composição do primeiro presente nos cancioneiros) tem dúvidas sobre esta cronologia tão recuada para os irmãos Marinho, avançando assim uma segunda hipótese, a de que Martim Anes, e também Pero Anes, seriam, na verdade, filhos de João Rodrigues de Valadares (de dois casamentos distintos, e, portanto, meios-irmãos). Assim sendo, não só estes dois irmãos Marinho seriam portugueses, como a sua cronologia seria mais tardia.
Para chegar a esta segunda identificação, Resende de Oliveira parte da rubrica atributiva que precede a citada composição de Pero Anes, e onde este investigador lê: Pero Anes Marinho, filho de João Rodrigues de Valadares. Como Tavani, pensamos, no entanto, que, sendo o passo da rubrica relativo ao patronímico algo obscuro, a leitura filho de João Froiaz de Valadares parece, mesmo assim, a mais provável.
Na verdade, e no que toca à linhagem dos Marinho, o Nobiliário do Conde D. Pedro parece dar um salto entre gerações, uma vez que, ao desenvolver o percurso dos filhos de João Froiaz, nos indica que uma filha de Martim Anes Marinho morreu na corte de Afonso IV (LL73C3-4), o que parece de todo incompatível com a cronologia do seu suposto tio, Osoiro Anes (que não consta do Nobiliário, na verdade, mas consta do testamento de João Froiaz). Assim sendo, duas hipóteses se poderão avançar: a primeira, a de que Osoiro Anes não seria, de facto, irmão de Martim e Pero Marinho, tal como defende Resende de Oliveira, havendo, pois, qualquer erro na rubrica atributiva da cantiga de Pero Anes Marinho; uma segunda hipótese, aceitando como correta a leitura proposta para a referida rubrica, seria considerarmos que talvez Martim e Pero Anes Marinho fossem filhos de um segundo casamento de João Froiaz e tivessem, pois, uma diferença de idade considerável em relação ao seu irmão Osoiro Anes.


Referências

1 Cotarelo Valledor, A. (1933), “Los irmanos Eans Mariño, poetas gallegos del siglo XIII”, in Boletin de la Academia Española, XX.

2 Tavani, Giuseppe (1986), A Poesía Lírica Galego-Portuguesa, Vigo, Editorial Galaxia.

3 Oliveira, António Resende de (1994), Depois do espectáculo trovadoresco. A estrutura dos cancioneiros peninsulares e as recolhas dos séculos XIII e XIV, Lisboa, Edições Colibri.

Ler todas as cantigas (por ordem dos cancioneiros)


Cantigas (por ordem alfabética):


En'a primeira rua que cheguemos
Cantiga de Escárnio e maldizer