Pero Anes Marinho
Trovador medieval


Nacionalidade: Galega

Notas biográficas:

Trovador possivelmente galego, membro da poderosa família dos Marinho. Se este é o seu perfil geral, algumas dúvidas subsistem, no entanto, quanto à sua identificação e cronologia concretas, dúvidas extensíveis ao seu presumível irmão, o trovador Martim Anes Marinho (e já expostas na Nota biográfica deste último, que retomamos).
Duas hipóteses têm sido avançadas para a sua identificação. A primeira, a inicialmente proposta por López Ferreiro e Cotarelo Valledor1, e também a defendida por Tavani2, a de que trataria de um dos filhos de João Froiaz de Valadares, como tal referido no Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, sendo, pois, irmão dos trovadores Osoiro Anes e Martim Anes Marinho. Atendendo à cronologia do primeiro (citado no testamento de seu pai, em 1220), a sua única cantiga conservada dataria, nestas circunstâncias, do segundo terço do século XIII. Resende de Oliveira3, no entanto, tendo em conta a evidente relação entre o trovador e João Airas de Santiago (atestada pela rubrica que acompanha a sua única composição presente nos cancioneiros) tem dúvidas sobre esta cronologia tão recuada, avançando assim uma segunda hipótese, a de que Pero Anes Marinho, e também Martim Anes, seriam, na verdade, filhos de João Rodrigues de Valadares (de dois casamentos distintos, e, portanto, meios-irmãos). Assim sendo, não só estes dois irmãos Marinho seriam portugueses, como a sua cronologia seria mais tardia.
Para chegar a esta segunda identificação, Resende de Oliveira parte da rubrica atributiva que acompanha a composição de Pero Anes, e onde este investigador lê: Pero Anes Marinho, filho de João Rodrigues de Valadares. Como Tavani, pensamos, no entanto, que, sendo o passo da rubrica relativo ao patronímico algo obscuro, a leitura filho de João Froiaz de Valadares parece, mesmo assim, a conjetura mais provável.
Na verdade, e no que toca à linhagem dos Marinho, o Nobiliário do Conde D. Pedro parece dar um salto entre gerações, uma vez que, ao desenvolver o percurso dos filhos de João Froiaz, nos indica que uma filha de Martim Anes Marinho morreu na corte de Afonso IV (LL73C3-4), o que parece de todo incompatível com a cronologia de seu tio, Osoiro Anes. Assim sendo, duas outras conjeturas se poderão avançar: a primeira, a de que Osoiro Anes não seria, de facto, irmão de Pero e Martim Marinho; uma segunda hipótese seria considerarmos que talvez Pero e Martim Anes Marinho fossem filhos de um segundo casamento de João Froiaz e tivessem, pois, uma diferença de idade considerável em relação ao seu irmão Osoiro Anes.


Referências

1 Cotarelo Valledor, A. (1933), “Los irmanos Eans Mariño, poetas gallegos del siglo XIII”, in Boletin de la Academia Española, XX.

2 Tavani, Giuseppe (1986), A Poesía Lírica Galego-Portuguesa, Vigo, Editorial Galaxia.

3 Oliveira, António Resende de (1994), Depois do espectáculo trovadoresco. A estrutura dos cancioneiros peninsulares e as recolhas dos séculos XIII e XIV, Lisboa, Edições Colibri.

Ler todas as cantigas (por ordem dos cancioneiros)


Cantigas (por ordem alfabética):


Boa senhor, o que me foi miscrar
Cantiga de Amor