Paio Soares de Taveirós
Trovador medieval


Nacionalidade: Galega

Notas biográficas:

Certamente originário de uma linhagem sediada em Taveirós, no atual concelho de Estrada, em Pontevedra, Paio Soares é um trovador galego, ativo nas primeiras décadas do século XIII, mas cujo percurso é relativamente obscuro. Não dispomos, na verdade, de nenhum dado documental seguro sobre o trovador, embora possa ser ele o Pelagio Suerii, marido de Urraca Rodrigues que, em 1220 e 1228, faz algumas transações em localidades próximas de Estrada1. De resto, grande parte dos dados que nos permitem traçar a sua biografia mínima provêm das suas composições, nomeadamente da rubrica explicativa da tenção de mantém com Pero Velho, seu irmão, como nos informa essa mesma rubrica. A explicitação do local onde os dois se encontrariam, ou seja, em cas Dona Maior, mulher de Dom Rodrigo Gomes de Trastâmara, tem permitido ligar os dois irmãos Taveirós a esse magnate galego, cuja importância na fase inicial da poesia galego-portuguesa esta menção confirma. Já de uma outra sua composição poderemos depreender que terá estado, em algum momento, fora da Península. Até ao momento, no entanto, nada mais ter sido possível apurar sobre a sua biografia.
Acrescente-se, de resto, que, num artigo relativamente recente, José Carlos Miranda2, partindo da discrepância entre os manuscritos no que toca à transmissão da obra de Paio Soares de Taveirós, propôs que o conjunto de composições preservadas unicamente pelo Cancioneiro da Ajuda, com a numeração atual A36-A39 (conjunto no qual se inclui a célebre "cantiga da garvaia", uma das mais discutidas composições galego-portuguesas), deveria ser atribuído, não a Paio Soares, mas a Afonso X. Num artigo posterior, que inclui já a análise desta proposta, Resende de Oliveira3 conclui, no entanto, que não há razões documentais para excluir este grupo de cantigas da obra de Paio Soares.


Referências

1 Ron Fernández, Xavier (2005), “Carolina Michaelis e os trobadores representados no Cancioneiro da Ajuda”, in Carolina Michaelis e o Cancioneira da Ajuda hoxe, Santiago de Compostela, Xunta de Galicia, p. 139.
      Aceder à página Web


2 Miranda, José Carlos, "Será Afonso, o sábio, o "autor anónimo" de A36-A39?", in Guarecer on-line.
      Aceder à página Web


3 Oliveira, António Resende (2013), "O Irrequieto Cancioneiro Profano do Rei Sábio", in Revista Portuguesa de História, nº 44, Coimbra, 272-274.
      Aceder à página Web


Ler todas as cantigas (por ordem dos cancioneiros)


Cantigas (por ordem alfabética):


A rem do mundo que melhor queria
Cantiga de Amor

- Ai, Pai Soárez, venho-vos rogar
Tenção

Como morreu quem nunca bem
Cantiga de Amor

Cuidava-m'eu, quando nom entendia
Cantiga de Amor

Donas, veredes a prol que lhi tem
Cantiga de Amigo

Entend'eu bem, senhor, que faz mal sem
Cantiga de Amor

Eu sõo tam muit'amador
Género incerto

Meus olhos, quer-vos Deus fazer
Cantiga de Amor

No mundo nom me sei parelha
Género incerto

O meu amigo, que mi dizia
Cantiga de Amigo

Quantos aqui d'Espanha som
Cantiga de Amor

Senhor, os que me querem
Cantiga de Amor

- Vi eu donas em celado
Tenção


Autoria duvidosa:


Meus olhos, gram coita d'amor
Cantiga de Amor

Quando se foi meu amigo
Cantiga de Amigo